5 de mar de 2014

Naquela noite...


 Naquela noite fria onde minha embriaguez espiritual lhe cobria de vergonha, eu à conheci, cabocla. No leito da encosta com as grades, você se crucificava em uma paixão, pobre alma.
Mesclava solidão com sacrifício, isso atropelava o amor e doutrinava a paixão, do beijo a crença, do gozo ao choro.

 A lua ia aos poucos animando assim aqueles momentos, em que assistia a tudo, ver aquela noite morna, as animações dos desejos a tornavam um como um bando de criancinhas na creche.
 Enquanto andava de um dado para o outro sozinho, olhava a lua tímida se escondendo mais e mais acima de nossas cabeças. Quando me dei conta estava só, e a Ansiava mais e mais, onde dançamos juntos aos sons e animações daquela noite estranha, mas o lado certo de minha pessoa, logo se mostrou assim competente, mas lhe arrancando da vergonha e te condenando ao pior...
 Tua sombra aparecia mais e mais a cada dia, no conceito em espirito, te condenei à mim. Quando cantamos juntos pela sua face, como uma goteira, senti em meu rosto os ligeiras gotas de lagrimas, das quais não podia entender, daí meu canto se despia logo após. Havia no meu grito um choro agonizante como sempre houve, e gemendo de ânsia, e calei-me, apenas eu sentia. Após muito, andamos um longo tempo pelas ruas, enfim você partiu, mas não deixando nenhum beijo, e plantando mais uma dúvida.
 Por dentro me senti gritando de exclamação. A sombra daquela mulher apareceu em meu recanto, ela se deitou, Assim me ansiou a noite inteira, como o fogo necessita do ar, e assim tudo se incendiou. Não sei quando dormi, só lembro de amanhecer e ser acordado por aquela figura, me cansou uma febre tremenda.
Nos beijos das mulheres, amantes e amores não havia saciedade, somente a tua imagem. Na boca daquela mulher eu bebi todas as gotas e nos deitamos, quando por fim atravessei a porta do quarto, a vi em pé, não houve como disfarçar aquela alucinação, noite-a-noite dormi sobre os lençóis que a acolheram na noite de chamas, buscando assim, teu cheiro, tua presença e a vossa lembrança.
Me senti morrer depois, mais e mais em seus beijos, mas não consigo nem mesmo explicar, nem ao menos descrever... Não eras a morte?
No aperto dos abraços sentia um arrepio frio e gélido, um pressentimento estranhamente bom de liberdade, na doença do amor e o sangrar dos lábios, o som que emitia entre os murmurinhos dos beijos, um choro escondido.
E todos os traços, todos me lembram de algo já esquecido, quando dei por mim estava só em um lugar escuro.